Abrir Empresa Bloqueia Seguro Desemprego?

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Abrir Empresa Bloqueia Seguro Desemprego?
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O empreendedorismo é visto por muitos como uma alternativa após a demissão e também uma oportunidade de ser dono do próprio nariz. Um dos primeiros passos do novo empreendimento é formalizar a empresa, seja através do Microempreendedor Individual (MEI) ou do Simples Nacional.

Mas se o desligamento foi sem justa causa, há uma decisão importante a fazer: vale a pena desistir de três a cinco parcelas de seguro-desemprego que você tem direito nestes casos para empreender em breve?

É que o registro da pessoa jurídica cancela automaticamente o benefício, mesmo que o processo já esteja em andamento.

Se a pessoa tem registro como pessoa jurídica, o Ministério do Trabalho entende que tem a possibilidade de ter renda, mesmo que não esteja realizando alguma atividade e emitindo notas naquele momento ou mesmo por um longo período. A regra está contida na Lei 3568/15, que regulamenta o Programa de Seguro-Desemprego no país.

Se você optar por não desistir do seguro-desemprego, a melhor coisa a fazer é usar esse período “fora de época” para se preparar de forma mais assertiva.

Confira algumas dicas para lidar essa situação:

Reserva financeira

É possível começar do zero, por meio de parcerias ou com base em empréstimos, por exemplo. O ideal é reservar 20% do dinheiro recebido do seguro-desemprego, para o fluxo de caixa da empresa. Um grande erro é a falta de capital de giro, que é um recurso fundamental para empreender com segurança.

Propósito e autoconhecimento

Muitas vezes, quando você pensa em empreender, o foco está em uma atividade que dá dinheiro. Mas esta é uma escolha difícil de sustentar. O ideal é fazer um exercício de autoconhecimento e buscar o que você realmente gosta de fazer, que tem maior afinidade, que traz felicidade. Identifique pontos fortes.

É fundamental, porque empreender não é para todos. Não há nada de errado em não ter um DNA empresarial, mas você deve estar ciente de que inicialmente o trabalho pode ser ainda maior do que se você estivesse em um sistema CLT. São pelo menos dois ou três anos para se conseguir estabilidade, até que se torne sinônimo de tranquilidade e qualidade de vida.

Preparação

É essencial buscar o conhecimento máximo. Empreendedorismo requer habilidades, como capacidade de relacionamento. No ramo das vendas, por exemplo, a veia da networking é muito forte. Tente fazer cursos, como o Empretec, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

O futuro empreendedor pode fazer uma imersão completa, para fortalecer habilidades, identificar pontos fortes e fracos, entre outros atributos. O Sebrae também conta com inúmeros cursos gratuitos.

Concorrência

Tendo feito a escolha do negócio para trabalhar, faça uma análise da concorrência. Faça experiências ou compre produtos e serviços de empresas que trabalham no mesmo mercado que você deseja empreender. É a melhor maneira de obter insights para o seu negócio.

Mentoria

Passado as etapas anteriores de reserva, auditoria, treinamento, análise de mercado, vamos para a execução. Se você é capaz de contratar uma consultoria ou mentoria, melhor.

Não necessariamente tem que ser um profissional que atue especificamente no aconselhamento, seja apenas alguém com mais experiência, ou seja, até mesmo um membro da família ou um amigo que tenha uma vivência maior e possa ser o mentor do processo.

Erros fazem parte, por mais planejamento, preparação financeira e propósitos claros. Mas essa pessoa pode ajudar a diminuir as falhas, tornando o caminho mais curto e otimizado.

Mensuração

Você tem que medir o que está fazendo, desde o volume de investimento até a previsão de retorno, passando pelo cenário, custo, margem de lucro. É fundamental mapear os indicadores e observar os números, para garantir decisões mais assertivas.

Proposta de alteração das regras do seguro-desemprego

Os requisitos relativos ao pagamento do seguro-desemprego para aqueles que têm registro no MEI podem mudar em breve. A Câmara dos Deputados substitui o projeto de lei 3.568 / 15. O relator da questão, deputado Lucas Vergilio (SD-GO), sugere que, para receber a ajuda, o empreendedor prova que a empresa está inativa ou não obteve faturamento no ano anterior.

A proposta foi aprovada pela Comissão do Trabalho, Administração e Serviço Público em junho de 2017 e será analisada de forma conclusiva pelas comissões de Finanças e Tributação e Constituição, Justiça e Cidadania.

É muito comum ser um microempresário e ter um registro no portfólio. Bloquear o seguro para aqueles que não estão recebendo renda como o MEI desestimula e até prejudica a filosofia do sistema, para permitir a formalização de atividades com cobrança de valores menores.